Minha lista de blogs

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Faxina Geral! Mudanças e muitas!

Aos meus parcos seguidores informo que este blog estará de volta, minha vida virou de cabeça para baixo e em alguns dias vai tomar um rumo completamente diferente e distante. Sim é uma decisão pensada e analisada muito profundamente, verdade que sempre tive este sonho, mas agora que estou batendo à sua porta muita coisa passa pela cabeça, mas como disse, está decidido. Me mudo para a Irlanda na próxima segunda-feira, vou morar em Dublin, capital da Irlanda e a cidade mais importante do país.
Muitas pessoas me perguntaram o motivo desta decisão e ao certo ainda não consigo responder, é uma necessidade interior em primeiro lugar, de ir atrás de algo que me chama bem no fundo da minha alma, uma resposta minha para a minha vida, resolver uma coisa que só eu posso fazer.
Uma outra coisa e muito importante, é valorizar a porcaria do diploma universitário que tenho guardado dentro de uma gaveta qualquer em minha (ex) casa. Vivenciar outras culturas, morar em outro continente, enfim, são muitas as questões que me impulsionam à este desejo,mas como disse a principal delas é meu grito interno que me chama de uma forma que não posso deixar de ouvir.
E com tudo virando de cabeça pra baixo uma entre tantas coisas novas é que este blog vai voltar a funcionar de forma efetiva, com atualizações e informações periódicas com tudo o que vai rolar nesta fase Irish e européia, vou começar mesmo antes da partida, preparando algumas matérias sobre o processo de decisão, a agência escolhida, assim como o país. Bom acho que vamos estar juntos e vou ficar feliz em aumentar o número de seguidores e sei que tenho que tornar a coisa interessante, então não vão faltar histórias, muita poesia, fotos e visões deste brazuca que está de partida para a terra dos Leprechaus.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sombra

Divago com minha sombra os estranhamentos


De um domingo de sol

Me desentendo com seus desenhos

Suas expressões indignadas

Sobre a minha performance

Diante da crítica me calo

Deixo minhas sombras em silêncio

Fico com as sobras

Mas ela insiste e por detrás de minha nuca

Põe-se a desenhar

Como pode, que falta de cabimento

Minha própria sombra a me xingar?!

Indignado me levantei

Cliquei no botão de luz

Apaguei .

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sapataria do Español

“Tingimento de bota cano alto, passar do bege para o preto, seria bem legal se conseguisse isso para segunda, beijo.”


Era assim que estava o bilhete, em cima de um par de botas na mesa da sala quando acordei para tomar o café. Era esta a missão que a “patroa”, havia deixado.

Decidi ir ao shopping e deixar numa daquelas lojinhas tipo “Fast Food”, só que de serviços, pensei no preço e resolvi achar um sapateiro que pudesse fazer o serviço, poderia demorar um pouco mais, só que o preço com certeza seria bem mais barato. Assim pensei.

Entrei no carro e saí de role acreditando que seria fácil arrumar uma sapataria. Comecei pelas ruas das redondezas, nas cercanias de onde moro e para minha surpresa tomei logo de cara dois “não sei”. Caminhei mais um pouco, o que consegui saber é que havia poucas e que a maioria delas tinha fechado. Sem sucesso resolvi voltar ao carro e tentar um comércio de avenida, algo que tivesse um leque maior de opções.

Andei um bom pedaço de carro pela e nada consegui, estacionei e fui excursionar perguntando nos comércios com características mais antigas, ou seja, procurar alguém que soubesse das coisas e pudesse me dar uma informação correta, direta e incisiva para que pudesse resolver meu problema.

Sai andando e observando, até os comércios, de certa maneira estão pasteurizados, nivelados por uma estética mais organizada, mas nem por isso mais bela, as lojas e bazares ainda são de uma rotatividade muito grande, em poucas lojas você identifica uma existência mais perene.

Geralmente são empresas familiares, com uma relação com o bairro. Entrei em um desses bares que passam de pai para filho e logo os identifiquei proseando com dois fregueses no balcão, o horário permitia, estava um dia calmo.

Entrei e pedi a informação, o rapaz que estava ao lado do pai, ele me olhou como se eu fosse de outro planeta, me senti um ET quando ele disse espantado ”Sapataria, só no Shopping”.

O rapaz que estava sentado ao lado de uma loura(cerveja), sorriu de uma forma simpática, era do tipo sambista, negro com um bonito sorriso e uma simpatia de nobreza sem igual,”Que shopping nada malandragem os caras vão tirar os olhos do compadre aqui. Para com isso. Olha aqui gente boa, desce direto, duas ruas à sua esquerda tu vai ver a padaria estrela, duas casas depois tem a sapataria do Español, vai lá.”

Agradeci sentindo um alívio, pois cheguei a pensar em alguns minutos que realmente as sapatarias estão entrando em extinção, desaparecendo da face da terra, dando lugar as tais lojas pasteurizadas de shopping e seus serviços rápidos.

Bem estou ficando velho e mais chato ainda, é o que diriam alguns amigos. Fui descendo a rua e observando as pessoas, as botas enroladas embaixo do braço, tenho me recusado a usar sacolas de plástico, não é modismo acho um absurdo mesmo, uma agressão desnecessária a naturaleza, os mais céticos diriam que uma pessoa andando na rua já cria um impacto ambiental, mas a discussão não é esta definitivamente.

Desci a rua e andei os dois quarteirões em busca do Español. Encontrei a padaria e fui andando em sua calçada e ao final havia mesmo uma pequena porta e uma placa escrita “Sapataria do Español”.

Entrei e me deparei com uma verdadeira sapataria, o cheiro de cola era inebriante, um lugar pequeno e acanhado, com uma maquina de costurar super antiga daquelas tipo Singer industrial, vazada, perfeita para se fazer costuras bem difíceis.

Era um senhor de quase setenta anos. Andava de forma compassada e lenta, era baixo, mais baixo que eu até, usava costeletas e tinha uma cabelo todo grisalho espicaçado para cima com ar de desengonçado.

Veio até o balcão olhou as botas e uma outra sandália, virou de um lado para o outro e jogou no balcão de novo, com displicência, me olhou e disse”O que você quer?”.

”Consertar os sapatos” eu disse com uma inocência e total falta de malícia.

“Isso eu já sei, mas o que você quer fazer exatamente?” Me perguntou olhando o estado dos sapatos que eram muito bons por sinal. “Tingir de preto”, respondi de sopetão para o velho.

Ele pegou a bota novamente, examinou a sola deu duas dobradas no bico e ficou alisando o couro, “Bom este couro, é caro”, disse ainda passando a mão na bota.

“Eu sei que a bota é cara meu senhor, mas a patroa quer pintar, não há diabos que a faça mudar de idéia”, disse ainda insistindo com ele.

“Não estou dizendo que a bota é cara rapaz, estou dizendo que é caro executar o serviço, é um trabalho que precisa ser bem feito e isso demora.”

“Para quando, tem como ser para segunda-feira?”. Disse rezando para que ele me respondesse de forma afirmativa, ”Que dia é amanhã?”. Ele me devolveu de bate pronto.

Pensei por alguns segundos e respondi “sexta-feira”. Ele olhou nos meus olhos e soltou um sorriso áspero. ”Então meu, o que você quer? Amanhã está tudo fechado, tenho que ir ao Brás comprar tinta, fazer o serviço, como imagina que eu possa entregar isto para segunda-feira?”.

Enquanto ele me falava entravam duas mulheres com uma bolsa de viagem na mão, elas aguardaram enquanto conversávamos, na primeira pausa uma delas se meteu no meio de conversa e perguntou.

”O senhor troca zíper de bolsa?”. Ele sem olhar para a mulher responde, ”Grande não”.

“Ah é e porque não?”, pergunta a mulher num sorriso sarcástico, “Porque me dá o dobro do trabalho e levo muito mais do que o dobro de tempo do para fazer uma menor e ainda vou ter que escutar dos fregueses que está caro!” respondeu de forma precisa e nada auspiciosa o señor. A mulher saiu da loja sem agradecer, praguejou algo que não conseguimos distinguir u se foi.

Logo em seguida ele me olhou e disse”E você vai fazer o serviço?”, olhei para o velhote, era baixinho e toureava seus clientes o sapateiro, “Vou, vou sim quanto custa?”.

“Setenta paus, e tem que deixar um adiantamento senão eu nem pego o serviço”, disse apontando para uma plaquinha que dizia “Executamos serviços somente com 50% do valor adiantado, favor não insistir”.

Olhei para ele e peguei as duas botas do balcão, agradeci o velho e sai da sapataria um tanto puto com a atitude do velho e um outro tanto frustrado por não ter resolvido a situação. Rendi-me e fui ao shopping center ver se era mais rápido o trabalho deles, com certeza seria mais caro, mas.

No final das quantas na sapataria moderna eu pagaria cinco merréis a mais do que no velhote, mas, tinha uma diferença básica, os modernos só me entregariam dali a uma semana, ou seja, moderno e ágil estava o Español, pena que era muito emburrado.

Ainda tentei lavar um tapete chinês que carrego no carro já faz uns dois meses e nunca me lembro de parar na lavanderia para perguntar. Desta vez lembrei, fui e perguntei para a menina se faziam o serviço, ela me respondeu ”Sim senhor nós lavamos, mas este ano não estamos pegando mais serviço, só ano que vem”.Ainda pensei em falar algo,mas desisti.

Tem dias que realmente as coisas vão a rotas opostas. Saí da lavanderia e fui andando até o estacionamento gratuito de um supermercado que ficava ao lado do shopping onde deixava o carro para economizar uns trocados, entrei dei a partida e fui embora.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Balarina e seu veredicto!!

Sem mais delongas, bailarina está livre para crescer, é um abacateiro e pode chegar aos 14 metros de altura. Estava com broca segundo Rainer, uma amigo que veio cuidar da dançarina.
Enfim esta história vai literalmente dar frutos, fotos assim que ocoorer.
Abraxas!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Bailarina

Ontem fui dar um rolê com Nicolau eu estava precisando e ele também, afinal o espaço reduziu bastante na casa nova, então os dois Pitt Bulls ( eu e o Nicolau) precisam andar, queimar energia.


Tenho tentado me exercitar, fazer algo que coloque meu corpo em movimento, me livrar das quatro paredes aconchegantes do meu quarto onde não sou obrigado a falar e nem ter que ser gentil com ninguém, enfim tenho dado longas caminhadas com o velho Nicolau.

Neste dia saí algumas horas depois do jogo de futebol entre Brasil e Argentina, quase de noitinha, num horário de verão quando o dia tem horas de noite. Achei legal os hermanos nos vencerem no futebol, um joguinho horroroso, valeu pelo quase gol de calcanhar do dentuço e claro, o golaço de Messi, eles estavam precisando muito disso, sua auto-estima anda em baixa, estive lá e sei como nossos vizinhos tem se sentido.

A felicidade proporcionada a outrem deve ser observada no cotidiano, tenho tentado valorizar gestos que para mim são muito simples e que representa muito para outras pessoas. Sair com o Nico, por exemplo, é um deles, o cara é meu parceiro poderia dizer sem pestanejar que é o único ser que me ama incondicionalmente depois da minha mãe, ele esta ficando velho e cheio de manias, tem que cuidar do cara.

Mudamo-nos há quase um mês, as coisas são ainda completamente novas para todos nós, a família aos poucos vai se aclimatando ao novo bairro, conhecendo aos poucos a energia que circula, as pessoas do entorno, a pizza, a padaria, enfim tudo o que uma mudança de casa provoca na vida de uma pessoa.

A casa, por exemplo, é uma das últimas coisas que entram pra dentro de nós, a intimidade com o lugar que se mora nunca é de imediato.É estranho e peculiar a forma que se acorda durante as primeiras noites e a falta de senso geográfico do lugar onde estamos. Inevitavelmente batemos a cabeça em algum lugar, ou chutamos a cama, o acidente é quase certo.

Nestes momentos quando acordamos, ainda estamos na casa velha. Nossa alma somente repousa naquilo que nos conforta, desconfio que nestes casos, nossas almas viajam até nossos antigos quartos e por lá permanecem alguns dias, vigiando a energia que deixamos para trás, evitando que os rastros sejam seguidos por coisas que não mais nos pertencem, acho que isso explica um pouco esta sensação de casa nova que venho sentindo, estranhamento e encantamento em diversas formas.

Ontem quando estava saindo com o Nicolau, pensava na menina que serpenteava ao vento, desembaraçada, como se nada estivesse acontecendo. Acho que nem ela mesma tem noção do perigo que corre, mas fiquei seriamente preocupado com sua vida.

A primeira vez que a vi, óbvio foi na casa nova, quando abri a janela do quarto do pavimento superior. Ela estava ali, indo pra lá e pra cá, quase se dobrando em sua própria extensão, ia e vinha, num movimento de pendulo, quase como um João bobo, fiquei apaixonado.

A casa para dizer mesmo a verdade nem era lá essas coisas, tinha um banheiro horroroso, uma coisa super deprê, era pintado de rosa salmão e tinha um box todo estropiado ao lado da porta. A janela era dessas tipo de cozinha, com os vidros transparentes. Sem dúvida o banheiro mais horroroso que já tinha visto até então, na privada tinha um limo verde, enfim, a casa não tinha banheiro.

Mas tinha dois bons quartos, uma aconchegante cozinha e uma ótima edícula com quintal e um pedaço de terra em volta.

Sem contar que tinha ela, a bailarina que serpenteava em movimentos de pêndulo, quase como um João bobo, brotava muitas folhas verde claro, crescia sem medo, era realmente um espetáculo. Tinha a altura do terceiro andar de um prédio, ainda não consegui identificar sua espécie e sei que sua base infestada de cupins, ela está muito, muito alta e seu peso está fazendo ela tombar, está correndo o risco de cair e morrer.

Era nisso que pensava durante minha caminhada, encucado com a bailarina, tinha passado boa parte da tarde escavando sua base, com um ancinho e uma pazinha de mão, delicadamente ia retirando a terra em volta de suas raízes, abri um espaço de quase um metro de diâmetro, em alguns pontos havia caminhos negros donde brotava uma pasta preta, em toda a sua base se percebiam raízes infectadas por cupins, em alguns pontos saia lavas e ovos.

A bailarina esta em estado crítico, esta que era a verdade, pensava eu enquanto o Nicolau cheirava um canto qualquer.

Ando tendo invasões do meu passado, me pego em momentos cotidianos à me lembrar da voz de minha mãe, ou imagens de uma oficina mecânica explodem como bombas em minha cabeça.

Me sinto sem identidade,como um ser sem pátria, ando assassinando meus sonhos essa que é a chave da coisa. Enquanto caminho com o Nicolau pelos arredores da casa nova, eu não penso, fico apenas a observar os arredores, sentindo o cheiro das murtas, percebendo o pedaço de mundo em que estou neste momento.
Sigo meu rumo com o Nico, ao chegar em casa ainda sinto dificuldade com as chaves do portão e quando entro sinto o quando estou fora de fuso, desatinado de muitas coisas que me cercam.

Troco a água do cachorro, dou uma última olhada para a bailarina, subo as escadas para um banho.Quem sabe uma chuveirada leve embora um pouco desta tristeza vagabunda que teima em me acompanhar?
Quem sabe.


Fuerza Bruta Centro Cultural Recoleta/Buenos Aires

video